2.12.06

Na Vinha e no Vinho!



  Marius alonga o seu olhar para além das Serras. Um país alagado, por incúria por desleixo de quem há séculos não sabe aproveitar os recursos hídricos que a natureza nos dá, criando condições para que a água não esvazie para o mar e para que, em tempo de sequeiro, o mesmo seja atenuado.

  Hoje estende-se a mão a pedir verbas considerando calamidade pública por água a mais, amanhã estende-se a mesma mão por falta dela. Vá-se lá compreender isto.


  Marius deixa Fisgas de Ermelo para trás. A passo, o seu cavalo lusitano, envereda por caminhos escorreitos a caminho de Sabrosa. O seu podengo, podengo aqui e ali espreita os buracos à procura de coelhos que, pelos vistos, estão no remanso da sua toca preparando o espaço para uma nova ninhada que irá nascer.

  O céu carregado de nuvens escuras dá o mote para um cavalar mais rápido. A chuva tem caído dos céus e o que deveria ser uma bênção é um ai Jesus de quem vê a sua casa alagada por a ter construído nos veios freáticos ou junto à zona ribeirinha. Mas já não há cura… Será sempre assim!



  Sabrosa, antiga Soverosa, contém vestígios que datam do Neolítico, como sejam os numerosos monumentos funerários, antas ou dólmenes, de tipo mamoa. No castro quase contíguo, o Castelo dos Mouros, ou Cristelo como é hoje conhecido o Castelo da Sancha do tempo da Idade do Ferro sofreu alterações aquando a permanência dos romanos no nosso país.

 Em Sabrosa nasceu Fernão de Magalhães, como infelizmente a história que se ensina hoje aos nossos filhos já se esqueceu dos grandes vultos da nossa História, é bom relembrar que se deve a Fernão de Magalhães, os planos e execução parcial da primeira viagem de circum-navegação do planeta. Nas hoje Filipinas, foi morto Magalhães numa rixa com os indígenas, a quem pretendia converter ao cristianismo. Foi o seu piloto Elcano que acabou por fazer o resto da viagem.

  A Igreja Matriz de Sabrosa, com a sua capela-mor do séc. XVII, a Casa dos Canavarros e a dos Marinhos, o pelourinho de Gouvães e os numerosos brasões de solares e a paisagem de Covas de Moura merecem uma visita.

  Triste é que ao procurar fotos de Sabrosa para melhor a dar a conhecer encontrei do jogador Simão, que também é Sabrosa muitas, da vila de Sabrosa poucas. Vale a pena saber dar uns pontapés na bola.

  Vamos lá até Favaios provar a boa casta dos vinhos do Douro, o vinho do Porto e o Moscatel.

  Favaios é a antiga Flavius, situada num planalto a 600m de altitude, vive essencialmente da agricultura, nomeadamente da cultura vitivinícola.



  Em Favaios, aconselha-se uma visita mais demorada à Igreja Matriz, as Capelas (Santo António, São Jorge, Santa Barbara, São Paio e Senhor Jesus do Outeiro), à Casa dos Sepúlveda, à Fonte do Largo, à Casa Brasonada, ao Castro Romano, à Calçada Romana e ao morro de Santa Barbara. O seu belo chafariz e a Casa dos Távoras são ainda aqui monumentos.

 O pão caseiro ainda é o que era e com um “conduto” a condizer acompanhada de uma boa pinga de Moscatel olhando para os socalcos dos vinhedo, temos um dia bem passado.

 De Favaios vai até Alijó, onde marius já estivera depois de subir e descer serras. Será que ainda existe o secular e frondoso plátano, plantado em 1856?

Alijó, cuja etimologia teria origem na existência na zona da histórica Legião Romana Legio Spetima Gemina, outras teses indicam que o topónimo advém da palavra Ligioo, mais tarde Lijó, que pretenderia significar a natureza pedregosa do local naquela época.

 Implantada num eixo que terá servido de fronteira em permanentes mutações, dividia cristãos e árabes. Foi por estes destruída e posteriormente abandonada.

 Teve o primeiro foral em 1226. O pelourinho, as capelas do Senhor do Andor ou dos Passos; a capela de Nossa Senhora dos Prazeres, no monte da Cunha, a de Santo António, no monte do Vilarelho, os brasões da Casa de Mansillas e da Casa de Arca são conjuntos arquitectónicos de real valor e em Carlão são notáveis as pinturas rupestres de Pala Pinta.

 Em S. Mamede de Ribatua nasceu o escultor Teixeira Lopes e a laranja destes sítios é considerada a melhor de Portugal.
É aqui em S. Mamede que se pode observar o rio Tua em toda o a sua imponência, do caminho-de-ferro que o serpenteia e das serras que o circundam.

 Vai marius até Vilar de Maçada.

São Mamede t’acrescente
São Mamede te levede
São João faça bom pão
Em louvor da Virgem Maria
Padre Nosso, Ave Maria

 Assim se benze o pão feito artesanalmente em Vilar de Maçada, tal como em Favaios. Denominada inicialmente por Vilar de Nossa Senhora da Conceição, recebeu foral de D. Afonso III em 1253 e, segundo a lenda, deve o seu nome actual a um fidalgo mouro que teria salvo a vida a D. João I na batalha de Aljubarrota com o seu maço, daí… Maçada. Afinal nos mouros também havia boa gente senão a história de Portugal teria perdido o nosso rei prematuramente e não haveria a ínclita geração que tanto deu a Portugal.

 A visita à Igreja Matriz, a sede dos Correios edificada sobre as ruínas da antiga Capela de Borba e a casa da Fonte fazem o ramalhete de visitas a esta freguesia que tem como patrono o Senhor Jesus da Capelinha com festejos em princípios de Julho.

 Depois de um pão caseiro, do vinho Moscatel e de laranjas do melhor que se produz em Portugal, marius afaga o seu cavalo, alisa-lhe o pelo e com o seu podengo a saltitar à sua frente dirige-se à pousada para um repouso merecido.