16.12.07

Gastronomia - Ponte da Barca





Verde e baixos vales, alta serra
Duras, e solitárias penedias
Correntes águas, frescas fontes frias
Testemunhas do mal que em mim s´encerra.


Ponte da Barca Lampreia à Pescador e à Bordalesa, Papas de Sarrabulho, Presunto e boroa de milho, Chanfana de Cabra à moda de Germil, Cabrito da Ermida, Costeleta Barrosã, sopas de leite e rabanadas de mel



Lampreia à Bordalesa

Ingredientes para 6 Pessoas:

  2 Lampreias de tamanho médio; 4 dl de Vinagre tinto; 4 dl de Vinho verde tinto; 8 dentes de Alho; 0,5 kg de Cebola; 1,5 dl de Azeite; 0,5 kg de Arroz; Pão seco qb; Salsa qb; Piri-piri qb; Sal qb; Água qb.

Modo de Preparação:

● Arranja-se a Lampreia e tira-se a tripa. ● Corta-se às postas de 4,5 cm. ● Faz-se uma marinada com o sangue da Lampreia, Vinagre, Vinho, Alho picado, Salsa picada, Sal, Piri-piri a gosto e adiciona-se a Lampreia cortada às postas. ● Fica a marinar durante cerca de uma hora. ● Pica-se a Cebola muito fina para um tacho, rega-se com um fio de Azeite e deixa-se alourar. ● Adiciona-se a Lampreia, juntamente com a marinada, à Cebola refogada e deixa-se estufar até ficar apurada. ● Junta-se água a ferver à medida que vai sendo necessário. ● Rectificam-se os temperos. ● Acompanha com Arroz seco e pão torrado às fatias



Rabanadas de Mel

  Cortam-se as fatias de pão de trigo, que se deixou endurecer, com dois centímetros de espessura.

  Numa panela, põe-se a ferver leite, água, canela, casca de limão, mel, açúcar e noz de manteiga fresca. Em travessa funda, põe-se o pão a demolhar bem, na calda quente. Escorre-se levemente e passa-se por ovos batidos. Frita-se em azeite fino. Tiradas as rabanadas bem loiras, ficam algum tempo a escorrer e servem-se polvilhadas com açúcar e canela.

  Para acompanhar as rabanadas, faz-se um molho com água, vinho do Porto, mel, açúcar amarelo, canela e laranja fresca. Vai tudo a ferver até ficar um xarope grosso e, com ele, quem quiser e gostar, regar as rabanadas. É servido à parte.


1.10.07

Viseu



  Vai Marius70 a caminho de Viseu. Mais uma vez voltava a Viseu, mas desta vez haviam outras razões que o faziam lá voltar, ver a Feira de S. Mateus, que nunca tinha visto e rever um velho amigo de infância da minha Rua Vereador Prazeres do meu Bairro de S. Paulo em Luanda. Um mero acaso fez com que voltasse a abraçar este grande amigo 40 anos depois. Para ti amigo Flávio um abraço do tamanho de Angola.


Viseu

  A cidade das rotundas. Disseram-me, posteriormente, que devido às rotundas tinham “baixado” os acidentes rodoviários na zona, se assim é, façam-se rotundas de norte a sul do país e evita-se a mortalidade devido aos aceleras que não têm respeito pelos outros.

  A Viseu (aqui nasceu D. Duarte) chamo de cidade jardim. Talvez hajam outras mas passear no Parque da Cidade ou ver outros locais cheios de verde, fazem-me sentir lá bem. Não é por mero acaso que Viseu é chamada de «Cidade do Verde Pinho».



  Cheguei lá na altura do almoço, a meio da semana, e recebi um telefonema desse meu amigo e combinámos o jantar para a Feira de S. Mateus pelas 20h30’.

  Estava um calor intenso e depois de se arranjar hotel, um hotel simpático, onde, pela decoração antiga, fazia-nos transportar para o tempo em que as camas tinham reposteiros, as senhoras usavam saias compridas e corpetes, e os homens “collantes” com as caras polvilhadas de pó de arroz.



  Há que visitar a cidade. Depois do reconhecimento feito do local da Feira de S. Mateus, à que começar pelo Rossio onde se pode admirar o magnífico Painel de Azulejos, o edifício dos Paços do Município, passear no Jardim Tomás Ribeiro e depois sentar-se no Parque Aquilino Ribeiro (um reparo, aqui há uns bancos de jardim tão baixos que depois de sentado os joelhos quase me batiam na cara), onde se encontra a Capela da Sr.ª da Vitória. Ao lado do Parque encontra-se a Igreja dos Terceiros de S. Francisco.

  Ver ruínas romanas dentro da própria cidade, através de um vidro demonstra que Viseu já no passado era um ponto de referência e não é por acaso que Viriato lhes fez frente e só foi vencido pela traição.

  A Sé Catedral e o Museu Grão Vasco, o Cruzeiro, a estátua de D. Duarte, a Igreja da Misericórdia, a Fonte das 3 Bicas fazem parte do roteiro obrigatório de todo o visitante.



  Muito mais há para ver, fica a promessa de lá voltar agora com mais tempo pois o tempo urgia e estava na hora de ir até à Feira de S. Mateus já com um historial de mais de 600 anos (as primeiras referências datam de 1392).

  Inicialmente, pareceu-me que a Feira estava longe de ter a fama que a suporta há já longos anos. Dividia-se em quatro vertentes, diversão, artesanato, comes e bebes e uma área destinada a exposições mobiliários e afins.

  Com uma zona central para espectáculos ao vivo, foi ao cair da noite que a magia saiu com arcos iluminados em tons de azuis e vermelhos, dando então à feira o cariz de que estava à espera.



  - Mário – ouvi junto à zona das exposições. Voltei-me, ali estava o meu amigo Flávio mais a sua simpática esposa, quarenta anos depois. Um abraço, um recordar dos nossos velhos tempos, das nossas corridas de trotinete, da nossa rua dos nossos amigos, dos nossos irmãos.

  Foi bom ver-te Flávio. Até à próxima!

9.7.07

De Sul a Sul...



  Do céu água caía e perspectivas de dias melhores não estavam previstas num horizonte recente.

  Desta vez a viagem seria directa, sem outras paragens que não fosse um ligeiro repouso em áreas de serviço.

  Cada vez mais se nota a diferença climática de ano para ano.

  O local de férias encontrava-se estranhamente deserto comparado a anos anteriores, pudera com o tempo que se fazia sentir só as gaivotas é que se afoitavam em voos para estas paragens, gaivotas e eu, bom, também não era o único que lá estava, haviam mais uns heróis que se calhar não puderam alterar as férias e lá tiveram que gramar o mau tempo.

  Lagos, continua a ser para mim uma cidade sempre a rever. Gosto de estar na marginal, vendo os barcos a sair e entrar na Marina, e quando os mastros dos barcos são altos eis que a ponte se abre para deixar os barcos passar. Foi de Lagos que partiu D. Sebastião para a derradeira viagem até Alcácer-Quibir.

  Hoje resta a lembrança da estátua de Cargaleiro, do Rei menino, nas Portas de Portugal.

  Buganvílias dão às ruas um colorido especial, e uma visita às Igrejas com as suas belas talhas, assim como o nicho dedicado a S. Gonçalo, padroeiro de Lagos no Arco com o mesmo nome, é de visita obrigatória.



  Em Alvor, os barcos encontravam-se serenos na sua Ria enquanto o tempo continuava cinzento. Três dias de praia em duas semanas e, por duas vezes, a praia foi interrompida devido ao tempo agreste.



  Portimão para visitar e comer os gelados de sabor na gelataria «Coromoto» junto ao Mercado Municipal.

  Ver «O Mundo de Areia» em Algoz/Pêra é um espectáculo. Este ano está simplesmente fantástico e pode-se ir de tarde e à noite com tudo iluminado com o mesmo bilhete. A não perder.

  Uma subida até ao Pico da Picota, em Monchique, a 774 metros. Subir aquilo de carro é uma aventura, estrada estreita quase não permite o cruzar com outro carro e se de um lado é encosta do outro é precipício. Há alturas que os nossos carros se transformam em burros e desta vez tive essa sensação. Mas o Pico foi vencido.



  No regresso uma ida até Marmelete. Casas brancas, pomares, hortenses, medronheiros e a Igreja fazem o encanto de Marmelete. Uma sandes de presunto comido num café no caminho foi quase um jantar.



  Quarteira para uma visita de saudade pois foi para lá a minha primeira ida para os Algarves. Uma ida até às ruas e casa onde estive há muitos anos atrás e fora um ou outro pormenor está tudo na mesma excepto a Marginal que sofreu alterações profundas.

  Alcoutim. Foi uma agradável surpresa. O castelo, as casas, as laranjeiras, o rio Guadiana (obrigado Bitu) com Espanha à vista. No cais uma lápide, dedicada aos contrabandistas, onde está uma quadra cantada por esse cantor que é o Che Guevara da canção, Zeca Afonso no seu «Canta Camarada Canta».

Viva a malta, trema a terra
Daqui ninguém arredou
Quem há-de tremer na Guerra
Sendo homem como eu sou




  Uma visita até à Foz do Odeleite, viagem longa mas que não vale a pena, A vista linda é do local onde tirei a foto abaixo. Mais uma vez o carro foi burro mas valeu a pena.



  O passo seguinte foi passar a ponte e ir até Ayamonte. Líndissima, com bancos de jardim com motivos em azulejo e espanholas tagarelas até mais não, e ainda falámos nós das portuguesas.



  E assim se passaram os dias. De regresso, uma última olhada para a Ria e esperar que na próxima o tempo ajude.

14.6.07

Gastronomia – Arcos de Valdevez





Arcos de ValdevezCozido à Portuguesa, as Papas de Sarrabulho, os Rojões, o Cabrito Assado, a Costela Barrosã, a Lampreia e o Bacalhau à Violeta.



COZIDO À MINHOTA

Ingredientes:

1/2 galinha gorila;
350g de presunto;
350g de carne de vaca (perna);
salpicão;
250 g de orelheira ou focinho filmados;
1 couve tronchuda;
3 cenouras;
5 batatas;
sal;
pimenta.

Para o arroz:

350 gr de arroz;
1 cebola;
1 dl de azeite;
As asas e o pescoço de frango (ou de 1 galinha);
50 g de presunto;
Sal e pimenta.

Preparação:

  Depois de arranjada, introduz-se a galinha numa panela grande com água fria. Junta-se a carne de vaca e a orelheira (ou o focinho). Quando a galinha estiver meio cozida, metem-se na panela o presunto e o salpicão. Meia hora depois juntam-se as cenouras, as couves e as batatas e deixa-se ferver durante mais meia hora. Para servir, coloca-se a galinha e a carne de vaca cortada aos bocados no centro de uma travessa e à volta põe-se a orelheira e o presunto também cortados aos pedaços, o salpicão às rodelas, as cenouras, as batatas e as couves. O arroz pode ser servido no alguidar em que vai ao forno, ou então moldado no centro da travessa e rodeado por todos os ingredientes.

Preparação do arroz:

  Pica-se a cebola e, num alguidar de barro, aloura-se com o azeite, juntam-se as asas e o pescoço do frango e o presunto cortado aos bocadinhos. Deixa-se refogar. Rega-se o refogado com água – o mesmo volume do arroz –, tempera-se com sal e pimenta, deixa-se levantar fervura e junta-se o arroz lavado e bem escorrido. Logo que levantar fervura, introduz-se o recipiente no forno e deixa-se o arroz cozer até ficar seco e solto.

Sobremesas: - Charutos de Ovos, as Cavacas, o Queijo Brandas da Cachena, os Casadinhos Brancos, e os não menos conhecidos Rebuçados dos Arcos.



Charutos de Ovos

Ingredientes:

Açúcar: 250 g
Amêndoa ralada: 250 g
Ovos: 8
Manteiga: Uma colher

Preparação:

  Põe-se o açúcar ao lume com a água necessária até formar o ponto de cabelo. Deita-se, depois, a amêndoa ralada, as 8 gemas com uma colher de sopa de manteiga e uma casca de limão.

  Deixa-se ferver e deita-se numa travessa a arrefecer. Este é o recheio dos charutos.

  Humedecem-se hóstias com clara de ovo e deita-se-lhes o recheio dentro, enrolando-as de modo a formar charutos que se envolvem em açúcar pilé.


9.6.07

Coimbra tem mais encanto!...





  Depois de passar pelo Jardim Botânico criado em 1772 no âmbito do Museu de História Natural instituído pelo Marquês de Pombal na Universidade de Coimbra, desço as escadarias da velha Universidade onde a Cabra – o sino da torre da Universidade – marca o passo à passagem das horas. Pelo Jardim florido do Largo da Portagem vou até à ponte de S. Clara debruço-me sobre o Rio Mondego. Olho em direcção do açude para a zona do Choupal.

  O rio, bonançoso, espraia-se pelas margens onde gaivotas vão debicando o que lhes aparece no leito lodoso. Do meu lado esquerdo o Portugal dos Pequenitos, a Quinta das Lágrimas onde, segundo reza a lenda, era aqui que Pedro e Inês se encontravam em segredo. Conta-se que a existência de um pequeno canal, junto à hoje denominada Fonte dos Amores, servia para transportar as cartas dos dois amantes, mais acima o Mosteiro de Santa Clara-A-Velha.

  Do meu lado direito o bulício da cidade. Sigo pelo Parque do Vale das Flores passo o Estádio Cidade de Coimbra e vou até ao Penedo da Saudade. Miradouro da Cidade de Coimbra (de onde antes se via o Mondego e os arvoredos das suas quintas em redor hoje só se vêem prédios), eis o Parque dos Poetas.

  No Retiro dos Poetas, placas com poemas gravados de alguns dos maiores vultos da literatura portuguesa dedicados aos amores e às saudades de quem parte após o curso acabado.



  Olho demorado a cidade. Imagino como devem ter sido as noites coimbrãs, da boémia, dos namoros dos estudantes e das tricanas. De Hilário com a guitarra a cantar poemas de amor, de sonhos desfeitos, de doutores e engenheiros com canudo e não de uma qualquer UnI, dos fados e baladas de Coimbra tocadas e cantadas por Carlos Paredes, José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Luís Goes, Fernando Machado Soares, das Tunas Coimbrãs e penso que se algum dia tive outra vida passei por certo por ser um estudante de Coimbra. Se há fado ou balada que me toca ela é sem dúvida ao som dessas guitarras e vozes para sempre imortais.

Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida…



Mais Fados e Baladas de Coimbra

Aqui


  Dedico esta minha página a uma grande amiga da net já do tempo dos fóruns e que tenho o privilégio de a conhecer pessoalmente.

Para ti amiga Mizé do blogue     Pascoalita com muita amizade pois sei que também gostas destes fados.

23.4.07

De Mogadouro a Freixo de Espada à Cinta



  Vai marius por serras, montes e um rio serpenteia na paisagem, é o Douro. Aqui e ali, um coelho espreita . O seu podengo e o seu cavalo lusitano espantam-se com os barulhos da Primavera. Os pássaros chilreiam, a água cristalina vai correndo nos ribeiros. Novas vidas nos covis, nos ninhos esperam ansiosamente pelos pais que lhes irão trazer nova ração. É assim a vida de quem sabe ser pais e não atiram os filhos para a valeta.

  Macaduron, de origem árabe, "nasce" como Mogadouro para a nacionalidade portuguesa em 1272 com foral do Rei D. Afonso III. D. Dinis em 1279 concede a vila aos Templários mandados para as calendas pela Ordem de Cristo até que os Távoras, não sendo nem Templários nem da Ordem mas tendo poderio, impuseram-se, até que o Marquês de Pombal os perseguiu e aproveitando o terramoto em Lisboa mandou enterrar alguns vivos que sendo Távoras ainda melhor.

  Enfim!... É um Portugal dos pequeninos este, ninguém respeita ninguém e quem se lixa é sempre o mexilhão, Mogadouro não mais voltou a ser o que era.

Mogadouro - Pelourinho


  Desses tempos ainda restam a torre e ruínas do antigo castelo dionísico, perto do qual se pode ver o pelourinho, de fuste hexagonal e cabeça de quatro pontas.







Mogadouro - Ponte Romana

  A visitar: a Igreja Matriz, moradias brasonadas, o Convento de S. Francisco e que tal passar na ponte romana? É sempre um prazer passar por uma ponte por onde os romanos passaram e que resiste às intempéries e à passagem dos milénios!




Mogadouro - Monóptero




  Curioso é o “Monóptero” de S. Gonçalo na velha Quinta de Nogueira pertença dos Távoras, um exemplar barroco de grande raridade, sem função rigorosa atribuída, mas com banquinhos no seu interior nada melhor serviria do que passar ali os Távoras as suas tardes ouvindo o chilrear da passarada, digo eu!...






Mogadouro - Fraga da Letra  Subir à serra da Castanheira e admirar o lençol branco formado pelas flores das amendoeiras na Primavera ou até a Penas Roias para visitar o velho Castelo e a torre obra de Gualdim Pais, o panorama subjacente e visitar as pinturas rupestres «Fraga da Letra» é, com uma boa e posta de vitela a famosa «Posta Mirandesa», um bom passeio para quem teima ir para fora com tanta coisa bela cá dentro.




Freixo Espada à Cinta - Torre do Relógio
 


  Freixo de Espada à Cinta, será anterior a Cristo, pré-romana como o atestam a arte rupestre pré-histórica, da qual o “cavalo de Mazouco” foi o primeiro sítio de arte rupestre paleolítica de ar livre descoberto no território português, e uma enorme quantidade de vestígios castrejos que ainda hoje podem ser apreciados nos seus devidos locais.

  Seria um fidalgo Godo – Espadacinta – que aqui se bateu com bravura ou de um fidalgo leonês cujo brasão tinha um feixe e uma espada ou o próprio El-Rei D. Dinis (este Rei está em todas, não bastava ir a Odivelas… Clicar Aqui)que encostara a sua espada a um freixo (que ainda existe junto ao Castelo) aquando da sua visita à terra a dar o nome a esta vila.

  No início do século XVI era uma poderosa praça de guerra cercada de muros e dotada de três torres mestras, das quais actualmente só resta uma, facetada e heptagonal exemplar único na Península Ibérica: a denominada Torre do Galo ou do Relógio.

  O pelourinho manuelinho, conservando ainda todas as ferragens no capitel, as suas fragas, a Igreja da Misericórdia, as amendoeiras em flor, a Fonte de Ménones, a Calçada de Alpagares, a Ponte Romana do Candedo, a Ribeira do Mosteiro, os seus trabalhos artesanais em seda (até 1791 Freixo possuiu 4 fábricas e 71 teares), e a paisagem magnifica que a região demarcada do Douro oferece ao visitante, é o suficiente para todos os anos este roteiro ser obrigatório.

FECinta - Amendoeiras


O Mês de Abril vai lentamente chegando ao fim. Diz o povo:


Abril chove para os homens e Maio para as bestas.

Abril chuvoso, Maio Ventoso, fazem o ano formoso.

Abril e Maio são as chaves de todo o ano.

Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado.

Abril mete a ovelha no covil.

Abril molhado, ano abastado.

Abril, águas mil, cabem todas num barril.

Abril, ora chora, ora ri.

Abril, tempo de cuco, de manhã molhado e à tarde enxuto.

As manhãs de Abril são boas de dormir.

Borreguinho de Abril, tomaras tu mil.

Em Abril abre a porta à vaca e deixa-a ir.

Em Abril cada pulga dá mil.

Em Abril queimou a velha, o carro e o carril; e uma cambada que ficou, em Maio a queimou.

Negócios no mês de Abril, só um é bom em mil.

Vinha que rebenta em Abril, dá pouco vinho para o barril.


  Velha sabedoria do povo que com o buraco de Ozono e as alterações climáticas dentro de alguns anos só fará parte da memória colectiva e nada mais.

2.4.07

Lendas, Amendoeiras e Castelos



  O sol vai aquecendo lentamente o dia. O frio ainda aperta mas pelos campos, pequenas flores; Malmequeres, Dentes-de-Leão vão fazendo a sua aparição. A passarada prepara o ninho para a prole que vem a caminho. As andorinhas, apanhadas de surpresa pelo frio, ainda não surgiram pois marius não as vê nos beirais das casas. É a Primavera que timidamente vai chegando.

  Em Sendim da Serra uma pastora tinha o costume de fazer um altar, enquanto o rebanho pastava na serra, colocando uma estampa de uma senhora e ornamentando com flores silvestres que apanhava no campo. Intrigava-lhe o facto de ali haver tais flores e, então, apareceu-lhe uma linda senhora que lhe explicou a razão.

  A pastora contou à mãe o sucedido e esta não acreditando mandou a filha para outro local. A pastorinha voltou a fazer o altar no novo local e a senhora voltou-lhe a aparecer pedindo que lhe fosse edificada uma Igreja. O povo ao saber de tal pedido acompanhou a pastora levando duas velas na mão para acender quando a senhora surgisse. Velas acesas e o povo sem nada ver. De repente levanta uma violenta tempestade de ventania e pó, as velas permanecem acesas e as chamas ficam firmes e hirtas como uma barra de ferro. Aí o povo acreditou e mandou erigir uma capela mas não no local onde a pastora queria. Pareciam as obras de S. Engrácia, faziam durante o dia e à noite tudo ruía. Lá resolveram fazer a vontade à pastorinha e construíram o templo no local desejado. Certo é que as obras andaram mais depressa que o previsto (era bom que fosse sempre assim) e bem depressa a Igreja dedicada a Nossa Senhora de Jerusalém ficou concluída, e tudo porque um dia desceu à terra para explicar que as flores podem nascer sem serem semeadas.

  Estas lendas, com algumas variantes, aparecem muito por este país à beira-mar plantado e quase sempre são pastorinhos os que têm o ensejo de serem escolhidos pelos poderes divinos.

Alfandega da Fé  Vai Marius a caminho de Alfândega (agora talvez leve mais um L e passe a ser Allfandega) da Fé. De fundação árabe, Alfandagh levou o Fé de alguns cavaleiros de esporas douradas que ajudaram os habitantes de Chacim e Castro Vicente a libertá-los da tutela e imposto desonroso do rei mouro que ali governava, que mais não era que entregar a este rei as donzelas da região (já contei esta lenda no tema «Pelo Rio Tua»). É o que faz meterem-se os mouros com este povo abençoado, portam-se mal levam com as contas do rosário.

  Sem monumentos dignos de visita, há que ir até á serra de Bornes e ver as gravuras rupestres dos tempos pré-históricos da Quinta da Ridevives.
Há que aproveitar esta época para ver as amendoeiras em flor ou ir até à Ermida de Nossa Senhora dos Anúncios e dali avistar um cenário fascinante desde o vale às montanhas circundantes.

  Se estiver na hora da janta nada melhor que aproveitar a excelente comida regional com as típicas greladas nos lagares de azeite. Um bacalhauzinho assado, uns grelinhos tenrinhos, batatinhas assadas, tudo molhado no azeite novo e regado com o bom vinho não há repasto melhor. Ter atenção que deve beber com moderação e se não fizer não se meta à estrada e durma um sono descansado. É que já é moda andar em contramão e não seja mais um que devido aos efeitos etílicos não veja a tal sinalização e coloque a sua e outras vidas em risco.

  Em Sambade veja a bonita Igreja Matriz setecentista, de frontaria joanina e os fornos tradicionais. Aproveitaram os de Sambade, o desenvolvimento que lhes trouxeram as antigas indústrias de lã e do bicho-da-seda e dela fizeram pólo de desenvolvimento rural.

  Marius vai a seguir até Mogadouro. Irá ver da Barragem da Estevinha as ruínas da torre de menagem do Castelo de Mogadouro de quem eram alcaides-mores, os Távores fidagais inimigos do Marquês de Pombal.


Mogadouro - Castelo


12.2.07

Por costumes e terras transmontanas



  Dos telhados para as goteiras cai a água da chuva. O céu, cinzento, dá o mote para que muitas pessoas se desculpem para não cumprirem o seu dever cívico. Anos atrás tinha sido o calor, verão, praia, agora é a chuva, lar doce lar. Depois lastimam-se mas este é um povo que sempre se lastimou e nada faz para mudar o rumo dos acontecimentos, é sereno, já alguém o disse.

  Marius olha para o horizonte certo de que a paisagem, os usos e os costumes deste país foi feito através de milénios de natureza, de homens e mulheres que sabiam enfrentar as vicissitudes, se não com um sorriso que as dificuldades não davam para isso, com a força dos seus braços e do seu querer. Já não há Homens como dantes, ai Maria da Fonte que não havia Cabral nenhum que não andasse à frente das tuas pistolas.


 

Carrazeda de Ansiães
cuja fundação é anterior à da Nacionalidade, tem na anta de Zedes ou na gruta da Rapa, com inscrições rupestres, vestígios da sua antiguidade.




  A Vila de Carrazeda de Ansiães tem vários pontos de interesse, como casas nobres, Moinho de Vento, o velho pelourinho já não existe tendo sido o actual erguido no século XVIII. Junto ao pelourinho duas fontes; a Fonte das Sereias , com se de taça fora de pedra bordada sustentada por sereias e outra Fonte com Tanque, encravada num dos muros de cantaria. Nessa mesma zona cheia de rusticidade, os antigos Paços do Concelho e os actuais, a Igreja Matriz de 1790 com Torre lateral esquerda quadrangular e de 4 sinos, toda a zona antiga, o Jardim ou Praça D. Lopo Vaz de Sampaio.

  Se encantado vem de Carrazeda nada como ir até aos arredores apreciar em Lavandeira a sua Santa Eufémia, entre o renascença e o barroco, com um alpendre cujo telhado é sustentado por colunas toscanas.


  Em Mazagão a sua esplêndida igreja, as Caldas de S. Lourenço e as suas sulfurosas águas; a pré-histórica vilazinha da Castanheira; a Igreja de Seixo de Ansião com o seu altar de talha dourada, ou ir até às Calçadas ver a fraga rectangular com uma marca semelhante a uma ferradura e que dizem ter sido feita pelo cavalo do Diabo quando, numa Sexta-Feira, vendo feiticeiras a dançar junto ao fragueiro do Silva esporou o seu corcel que, de crina ao vento, se juntou a elas depois de um voo de 6500m. Deve ter “roubado” o cavalo Pégaso ao Hércules.

  De Senhora da Ribeira podemos apreciar o Douro e os seus vinhedos.

  Os transmontanos sabem como curar a espinhela caída e com massagens no antebraço e fazendo impressões com o polegar molhado em azeite vão dizendo a seguinte ladainha:

Espinhela, tim tim no osso
Com Nosso Senhor Jesus Cristo
Esteve no horto
Espinhela tim tim nas veias
Com o Nosso Senhor Jesus Cristo
Esteve em terras alheias.
Espinhela, tim tim forte
Com Nosso Senhor Jesus Cristo
Esteve na hora da sua morte.
Em louvor de Deus, Virgem Maria
E S. Gonçalo um Pai-Nosso e Ave-Maria.

Deus me ajude
Em nome da virtude.


  Nada como a fé e até a espinhela sobe com tamanha devoção.

  Vai marius a caminho de Vila Flor sem antes não deixar de ver as imponentes ruínas do Castelo de Ansiães e da Igreja de S. Salvador.

  Do Altos da Senhora da Lapa e da Nossa Senhora da Assunção vê marius magníficas paisagens de Vila Flor. Conta a lenda que D. Dinis, no caminho para a raia de Miranda, ao encontro de sua noiva - Isabel de Aragão, achou o lugar tão belo e florido que, a jeito de trovador, lhe chamou ”FLOR” e, assim, por acção do rei-poeta, a Póvoa de Além-Sabor se alterou para Vila Flor.



 




D. Dinis mandou construir um castelo e muralhas com cinco portas em arco, restando hoje só uma que tem o nome do monarca.







  A igreja Matriz, reconstruída no século XVIII em estilo barroco, a sua magnífica biblioteca-museu com cerca de 20000 volumes, o outeiro da Senhora da Lapa, a barragem hidroagrícola do Peneireiro e as águas mineromedicinais de Bensaúde no fértil vale da Vilariça.

  Vai marius até às Vilas Boas onde por lá andaram civilizações proto-históricas como também se pode ver nas anexas de Ribeirinha, junto ao rio Tua, e de Meireles, no sopé da serra de Faro.

  De visita obrigatória é o Santuário de Nossa Senhora da Assunção, construído no local em que existiu outrora um castro, um importante local de defesa, pelo que ainda se pode de ver pelas muralhas existentes.

  Está de chuva. Lar doce lar disseram milhares de portugueses. Com a túnica sobre os ombros marius abriga-se. Chega por hoje de viajar pelo país, melhores dias virão!