12.2.07

Por costumes e terras transmontanas



  Dos telhados para as goteiras cai a água da chuva. O céu, cinzento, dá o mote para que muitas pessoas se desculpem para não cumprirem o seu dever cívico. Anos atrás tinha sido o calor, verão, praia, agora é a chuva, lar doce lar. Depois lastimam-se mas este é um povo que sempre se lastimou e nada faz para mudar o rumo dos acontecimentos, é sereno, já alguém o disse.

  Marius olha para o horizonte certo de que a paisagem, os usos e os costumes deste país foi feito através de milénios de natureza, de homens e mulheres que sabiam enfrentar as vicissitudes, se não com um sorriso que as dificuldades não davam para isso, com a força dos seus braços e do seu querer. Já não há Homens como dantes, ai Maria da Fonte que não havia Cabral nenhum que não andasse à frente das tuas pistolas.


 

Carrazeda de Ansiães
cuja fundação é anterior à da Nacionalidade, tem na anta de Zedes ou na gruta da Rapa, com inscrições rupestres, vestígios da sua antiguidade.




  A Vila de Carrazeda de Ansiães tem vários pontos de interesse, como casas nobres, Moinho de Vento, o velho pelourinho já não existe tendo sido o actual erguido no século XVIII. Junto ao pelourinho duas fontes; a Fonte das Sereias , com se de taça fora de pedra bordada sustentada por sereias e outra Fonte com Tanque, encravada num dos muros de cantaria. Nessa mesma zona cheia de rusticidade, os antigos Paços do Concelho e os actuais, a Igreja Matriz de 1790 com Torre lateral esquerda quadrangular e de 4 sinos, toda a zona antiga, o Jardim ou Praça D. Lopo Vaz de Sampaio.

  Se encantado vem de Carrazeda nada como ir até aos arredores apreciar em Lavandeira a sua Santa Eufémia, entre o renascença e o barroco, com um alpendre cujo telhado é sustentado por colunas toscanas.


  Em Mazagão a sua esplêndida igreja, as Caldas de S. Lourenço e as suas sulfurosas águas; a pré-histórica vilazinha da Castanheira; a Igreja de Seixo de Ansião com o seu altar de talha dourada, ou ir até às Calçadas ver a fraga rectangular com uma marca semelhante a uma ferradura e que dizem ter sido feita pelo cavalo do Diabo quando, numa Sexta-Feira, vendo feiticeiras a dançar junto ao fragueiro do Silva esporou o seu corcel que, de crina ao vento, se juntou a elas depois de um voo de 6500m. Deve ter “roubado” o cavalo Pégaso ao Hércules.

  De Senhora da Ribeira podemos apreciar o Douro e os seus vinhedos.

  Os transmontanos sabem como curar a espinhela caída e com massagens no antebraço e fazendo impressões com o polegar molhado em azeite vão dizendo a seguinte ladainha:

Espinhela, tim tim no osso
Com Nosso Senhor Jesus Cristo
Esteve no horto
Espinhela tim tim nas veias
Com o Nosso Senhor Jesus Cristo
Esteve em terras alheias.
Espinhela, tim tim forte
Com Nosso Senhor Jesus Cristo
Esteve na hora da sua morte.
Em louvor de Deus, Virgem Maria
E S. Gonçalo um Pai-Nosso e Ave-Maria.

Deus me ajude
Em nome da virtude.


  Nada como a fé e até a espinhela sobe com tamanha devoção.

  Vai marius a caminho de Vila Flor sem antes não deixar de ver as imponentes ruínas do Castelo de Ansiães e da Igreja de S. Salvador.

  Do Altos da Senhora da Lapa e da Nossa Senhora da Assunção vê marius magníficas paisagens de Vila Flor. Conta a lenda que D. Dinis, no caminho para a raia de Miranda, ao encontro de sua noiva - Isabel de Aragão, achou o lugar tão belo e florido que, a jeito de trovador, lhe chamou ”FLOR” e, assim, por acção do rei-poeta, a Póvoa de Além-Sabor se alterou para Vila Flor.



 




D. Dinis mandou construir um castelo e muralhas com cinco portas em arco, restando hoje só uma que tem o nome do monarca.







  A igreja Matriz, reconstruída no século XVIII em estilo barroco, a sua magnífica biblioteca-museu com cerca de 20000 volumes, o outeiro da Senhora da Lapa, a barragem hidroagrícola do Peneireiro e as águas mineromedicinais de Bensaúde no fértil vale da Vilariça.

  Vai marius até às Vilas Boas onde por lá andaram civilizações proto-históricas como também se pode ver nas anexas de Ribeirinha, junto ao rio Tua, e de Meireles, no sopé da serra de Faro.

  De visita obrigatória é o Santuário de Nossa Senhora da Assunção, construído no local em que existiu outrora um castro, um importante local de defesa, pelo que ainda se pode de ver pelas muralhas existentes.

  Está de chuva. Lar doce lar disseram milhares de portugueses. Com a túnica sobre os ombros marius abriga-se. Chega por hoje de viajar pelo país, melhores dias virão!