4.1.09

Nazaré



 Uma das situações que irrita sobremaneira Marius70, é o facto dos sites das Câmaras Municipais não divulgarem as músicas do folclore das suas regiões. Com algumas excepções como o do Municipio da Póvoa de Varzim, terra onde nasci e isso é de louvar, é de bradar aos céus o facto de tanto o site do Munícipio de Peniche como o de Nazaré não terem músicas acopladas que são como referências para quem quer visitar esses locais e queira conhecer os seus trajes e o seu folclore. Procurei vezes sem fim o «Vira da Nazaré», uma música que conhecemos desde miúdos mas nada encontrei. Valeu-me o facto de ter um LP do Júlio Pereira, «Cavaquinho» e ter retirado dele a música que estão a ouvir «Não Vás ao Mar Tóino» que é da Nazaré também (na minha pesquisa encontrei esta mesma música como sendo da Beira-Baixa, não sabia que na Beira-Baixa também existia mar, estamos sempre a aprender). Se alguém dos Municípios lê estes meus artigos que não são mais que viagens minhas e ao mesmo tempo de divulgação das terras por onde Marius70 passa, faça o favor de colocar lá músicas do folclore e não só as fitas que o Presidente da Câmara corta. É que isto de beija-mão já lá vai. Divulguem o que de bom se faz para o bem da sua região mas também a sua raiz cultural das danças e cantares que atravessaram gerações. Isso sim é Portugal, o resto é cimento!

Julho 2008

  Mais uma vez Marius70 vai até Nazaré. Várias corridas já ali tinha feito. Ainda no ano anterior tinha ali estado a correr a sua meia-maratona. O mar estava bravio e a espuma desfazia à nossa passagem na Avenida a caminho da Meta. Mas desta vez o sol brilhava e as Marchas desfilavam na Avenida e faziam a sua exibição na Rua Mouzinho de Albuquerque junto aos estabelecimentos de Restauração.

  De perna grossa e bem feita, as nazarenas com os seus trajes garridos, com as mãos nas ancas davam um ar festivo e de folia a esta simpática vila cheia de vereneantes.



  Nazaré não existia no século XVIII, só o Sítio. No entanto o mar recuou abaixo da Pederneira e, os pescadores, aí se instalaram em terra firme. A partir da metade do século XIX das cabanas começou a nascer a povoação e hoje Nazaré com o seu mar pejado de toldos de lona recebe milhares de forasteiros que vão desfrutar do seu mar azul e lindo que se pode ver, na sua plenitude, no Sítio.



  Como tem sido regular, o Hotel escolhido foi o Hotel da Nazaré. Mas como venho a confirmar por todos os Hotéis ou Residenciais onde marius70 pernoita têm um contra, não têm estores e, como é bom de ver, ainda a manhã começa e já a claridade se infiltra dentro do quarto. Para quem desfruta dos locais até bem tarde feita noite não é muito agradável acordar de manhã cedo. Mas é um mal geral de Norte a Sul do País.

  Enquanto se toma o pequeno almoço, no terraço, o nosso olhar estende-se pelo casario, o elevador que nos leva até ao Sítio e o mar que nos envolve.



Sítio

  Do Sítio se conta a bela lenda que D. Fuas Roupinho indo em perseguição de um veado, este se lançou do penhasco e se não fosse a aparição de Nossa Senhora da Nazaré que fez estancar o cavalo mesmo à beira do precipício de tal forma que ficou gravado na rocha a ferradura, teria D. Fuas feito companhia ao veado que, segundo a lenda era o demónio com cornos e tudo, cá embaixo! Em sua memória foi erguida a “Ermida da Memória”, diga-se em abono da verdade muito degradada e com muito cheirinho a fénico. As casas de banho são um bocadinho mais abaixo!

  Tendo Marius70 ido uma vez ao Sítio com o seu irmão mais velho, depois de mais uma meia-maratona, este fez a nazarena contar as sete saias o que ela fez com gosto.

Sete saias trazes
Ao cair da anca
E a blusa branca
Que te está mesmo a matar

Agora os rapazes
Só pedem que caias
Para contarem as saias
Quando tu estás a bailar


Bem atiradiços estes rapazes!!!

 O Sítio da Nazaré é um largo enorme com um belo coreto e terminando com numa varanda junto ao mar (estava proibido o acesso devido a possível derrocada). Pode-se ver a Igreja consagrada a Nossa Senhora da Nazaré e várias residências com bonitas sacadas em ferro fundido e azulejaria de interesse.



 Com locais para venda de artesanato e as nazarenas nos seus carros castiços com venda de tremoços, pevides e outros afins (as gaivotas estavam sempre a tentar “roubar” algum destes produtos, para desespero das nazarenas) ir à Nazaré, com uma gastronomia apetecível, é sempre para Marius70 e para milhares de turistas uma visita agradável.

 De fazer também, um passeio pedreste até ao velho forte, no fim do promontório, e à vizinha Pedra do Guilhim.

 Coloca esta vila no teu roteiro anual, vale a pena!



Fotos e video: Marius70
Fonte consultada: «À Descoberta de Portugal» - Selecções Readers Digest