7.12.18

Famões - Moinho da Laureana

Nem todos os caminhos são para todos os caminhantes."

Goethe

Em demanda por terras de “Ide vê-las” (Odivelas)

Famões - Moinho da Laureana

Morador desde 1979 em Famões, conheci este moinho situado no outeiro Gertrudes da Velha (edificado no segundo quartel do séc. XVIII), ainda ele era uma ruína. Tinha cumprido a sua função e há muito que estava ao abandono. Tive o cuidado de, na altura, o ver por dentro e aquilo era só lixo e parte da sua estrutura estava derrubada.

Curiosamente a sua recuperação e o ser hoje ex-libris de Famões (elevada a vila em 2001), deve-se às eleições para a Junta de Freguesia. Um determinado partido mandou recuperar o moinho, alindou a zona, tornou o espaço num lugar aprazível e de lazer e... perdeu as eleições.

Inicialmente estava pensado para ser um local de turismo rural, mas a vida dá voltas que as varas do moinho já não dão, e hoje é um núcleo museológico.

Quem passa por Famões e dá a volta à rotunda para a Pontinha ou Odivelas, pouco lhe diz este moinho. A vida stressante não se compadece com uma paragem e um ver com olhos de ver, esta maravilha, mas ele, o moinho, está lá para quem caminha e queira ver, porque não basta só caminhar.

8.4.10

Torres Novas

De Almourol segue Marius70 em direção a Torres Novas banhada pelo Rio Almonda. Como seria de esperar, esta cidade foi outrora ocupada pelos romanos conforme vestígios arqueológicos encontrados.

Depois de tomada e derrotada várias vezes por quem lá andou, D. Afonso filho de D. Sancho I acabou de uma vez com este saltitar e tomou definitivamente a fortaleza aos muçulmanos.

Marius vai até ao centro da cidade. Cidade pacata, vai deambulando por ali e repara num azulejo no lanço que dá acesso ao Castelo de Torres Novas. Representa uma batalha e tem como base uma lenda, a lenda de Gil Paes.


Segundo a lenda local, à época da invasão castelhana de 1372, o Alcaide-Mor de Torres Novas, Gil Paes teve um de seus filhos aprisionado quando da tomada da vila pelo inimigo. Cercado o castelo, os castelhanos exigiram a sua entrega em troca do filho do Alcaide. Diante da recusa do magistrado em entregar a praça que lhe foi confiada, assistiu à execução do filho diante das portas do castelo (pelos vistos esta lenda é muito comum pois em Faria seria um pai, D. Nuno Gonçalves, refém dos castelhanos, a ser executado perante os olhos do filho, D. Gonçalo, quando D. Nuno exortou o filho a defender o Castelo a custo da própria vida amaldiçoando-o caso assim não fizesse).

Bem marius gostaria de visitar o Castelo mas este estava em obras de restauro, que devido ao terramoto de 1755 ficou muito danificado e depois com a invasão das forças de Napoleão e de um gatuno francês chamado Massena que tudo roubou e destruiu, mais danificado ficou.


Torres Novas tem locais de interesse a visitar, além do Parque Jurássico na Pedreira do Galinha, a Reserva Natural do Paul do Boquilobo, as Grutas da Lapa, várias Igrejas e como vistas admiráveis a Serra de Aires e Candeeiros.

Na gastronomia há a referir as sopas e nas entradas pontificam o queijo de ovelha, a "morcela de arroz" e as "couves com feijão". Nos pratos principais, Torres Novas apresenta as "Sopas de Fressura", o "Requentado com Bacalhau Assado ou Petinga Frita", as "Migas à Pescador", o Cabrito Assado e pratos variados de caça e pesca.
As sobremesas também têm destaque o "Bolo de Cabeça", as "Merendeiras", o "Doce de Amêndoa", os "Pastéis de Feijão" e os Figos. E como quem conduz não bebe e o cavalo de marius não sabe andar sozinho não bebi a “Aguardente de Figo” uma especialidade, fiquei-me pelo licor que também se recomenda.



27 Julho 2010

Torres Novas - II Parte


Por sugestão de António Duarte Rodrigues (que comentou neste tema) regressei hoje a Torres Novas com a finalidade de tirar fotos ao Castelo, visitar demoradamente a cidade, fazer uma visita às Ruínas Romanas de Cardílio e uma possível visita às grutas da Lapa. Esta última visita fica para uma próxima oportunidade pois andar com temperaturas superiores a 40º não é o ideal, além de ter que se pedir à Junta de Freguesia da Lapa para a poder fazer.

O Castelo é lindo por dentro, dos mais bem cuidados que já vi e já visitei muitos castelos por este país afora. As ameias bem cuidadas, um jardim convidativo para um repouso e vistas que se estendem pelas serras que delimitam a cidade.

Um passeio pelos bonitos jardins exteriores, mesmo ao lado do Rio Almonda (está com uma cor que não tem nada a ver com o azulejo que fala de água cristalina), a nora, a ponte romana e o almoço no "Restaurante Mário Alturas" (passe a publicidade), com ar condicionado, cá fora estava uma canícula que nem os patos saíam da sombra, foi bom o regresso a esta cidade. Pena que as Igrejas estivessem fechadas (parece que se tem que pedir à Misericórdia, às Juntas para as poder visitar e até a um nº de telemóvel, está tudo isto referido no panfleto turístico Inspiradescoberta fornecido pelo Posto de Turismo de Torres Novas).


Marius quis também visitar o Museu Municipal Carlos dos Reis onde iria encontrar três grandes núcleos museológicos - arte sacra, pintura (Malhoa), arqueologia, algumas peças oriundas da villa romana de Cardílio e uma adaga (punhal) da Idade do Bronze, considerada das melhores do país, mas o mesmo encontrava-se fechado devido a uma reunião que decorria no Museu mas noutro local, embora um letreiro na porta dissesse que a demora não era muita. Depois de algumas voltas dadas dentro da cidade e como sempre que por lá passava continuava fechado, marius resolveu ir embora pois a pedra romana pode "cozer" ao sol, mas mais de 40º é muito grau mesmo para marius70.

Aqui ficam as fotos e o meu muito Obrigado ao António Rodrigues pelas sugestões dadas.


Fotos: Marius70

22.2.10

O Castelo de Almourol



Marius dirige-se para aquele Castelo que o fascina. Como referiu no tema anterior, o que levara à sua construção no meio do rio Tejo? Para que fim e qual a sua utilidade, já que seria presa fácil de quem o quisesse tomar? Era só cercá-lo e aguardar que os seus habitantes se rendessem pela fome.


O Castelo de Almourol já em 1129 existia, aquando da conquista da região por D. Afonso Henriques.

Foi entregue aos Templários até a sua expulsão de Portugal. Estudos feitos, já os romanos se tinham por lá fortificados no século I A.C., depois vieram os alanos, visigodos e mouros e o Castelo, todos estes povos viu passar.

Pelas pesquisas que Marius fez, o Castelo teria grande influência no comércio náutico entre Lisboa e outros locais. Talvez um sistema de controlo alfandegário dos abastecimentos de e para Lisboa, na época já um grande porto marítimo, embora a capital fosse Coimbra.

O Castelo de Almourol também tem as suas lendas e esta tem muito a ver como os cristãos conquistaram o Castelo.

Lenda de Almorolon

No longínquo séc. XII, pouco antes da chegada de D. Afonso Henriques e seus cavaleiros ao Tejo, o Castelo de Almourol tinha como senhor um emir árabe, de seu nome Almorolon. Terá sido por causa do seu nobre gesto que o castelo ficou com o nome que tem.

O emir habitava no castelo com a sua filha, uma formosa donzela, que enchia de beleza não só o castelo como toda a paisagem à sua volta.

Mas um dia, tão formosa dama apaixonou-se por um jovem cavaleiro cristão, e cega pela paixão, ensinou-lhe como poderia entrar no castelo, durante a noite, para repetidas visitas amorosas.

Numa dessas noites, o jovem cristão, não foi sozinho, e abriu as portas do castelo para um exército invadir esse bastião dos mouros.

Foi de forma traiçoeira que o castelo foi conquistado.

Mas no final, o amor de pai foi mais forte e perdoou a inconsciência de sua filha. Preferindo a morte ao cativeiro, Almorolon e sua filha, lançaram-se abraçados das muralhas do castelo ao rio.


Marius, vai até junto ao rio. O barqueiro anda por ali tentando levar alguém para dar uma vista de olhos ao Castelo. Mas este estava em obras de restauração e não se podia sentir de perto a história emanada das suas muralhas. Olha para aquele bocado de terra granítica onde sobressai um Castelo dos mais lindos que já viu durante o seu percurso por terras de Portugal .

O rio Tejo bonançoso espelhava toda aquela magnitude no seu leito. O murmúrio das suas águas faziam com que se olhasse para aquelas torres, filtradas pela luz do sol no seu ocaso.

Marius se tivesse que ficar ali ouviria por certo, de noite, a moura encantada, chamando pelo seu cavaleiro amado.

Mas teria que partir, outras terras o aguardavam, olhando para o Castelo que tanto o fascinou, pegou no seu cavalo e partiu rumo a Torres Novas.

Foto: Marius70 Fontes consultadas: Castelo de Almourol

9.1.10

Tancos e o Tejo



Depois de saído de Tomar, Marius70, vai a caminho de um castelo que há muito desejava ver, o Castelo de Almourol. Fazia-lhe confusão o facto de haver um Castelo no meio de um rio. Qual a finalidade, já que não estava a ver que, para defender uma determinada região, tivesse que se fazer um castelo num local que seria de difícil defesa às populações locais.

A seu lado o rio Tejo corria. Uma Igreja sobressaía na paisagem, uma subida íngreme e eis que Marius se encontra em Tancos junto à sua Igreja Matriz.



Foi mandada construir no século XVI, pensa-se que por cima de uma outra edificação muito mais antiga, é dedicado a N.S da Conceição. Como estava fechada, Marius aproveitou para ver dali, o Tejo e uma outra povoação do outro lado, a aldeia do Arrepiado.



Tancos foi vila e sede de concelho até ao início do século XIX. É conhecido pelo seu Polígono Militar, certo é que se há militares na zona, Marius não viu nenhum.

Não há provas da origem do nome desta freguesia de V. N. Barquinha. Pensa-se que Tancos teria sido fundada por cavaleiros francesas que vieram ajudar D. Afonso Henriques na luta contra os Mouros, e que o nome Tancos seja uma deturpação de Francos (ou franceses) mas, segundo outras versões, o nome deriva de Tabucos, povos da antiga Lusitânia, que ali se estabeleceram.

Como a povoação encontrava-se "adormecida", um último olhar em redor e lá divisou o Castelo que tanto o fascinava, o Castelo de Almourol.



Fotos: Marius70
Fontes consultadas:
Tancos Civil
Geocaching

13.10.09

Tomar - A cidade dos Templários



Já não era a primeira vez que Marius70 visitava a cidade dos Templários. Já ali tinha ido ver a “Festa dos Tabuleiros” há muitos anos atrás e já ali voltara em dia de temporal, onde o Rio Nabão corria “furioso” nas suas margens arrastando o que a Natureza e o povo deita para o seu leito. Depois queixam-se dos rios galgarem as margens quando tudo está entupido pelo desleixo e porcarias, desde pneus, lixo doméstico e entulho de obras que para lá mandam.

Mas desta vez Tomar estava “linda”. Tinha chegado a hora de arrumar o transporte, mas a cidade estava em obras e o que era verde depressa se tornou branquinho, devido ao pó levantado pelas máquinas em movimento. Mas o cavalo de marius já está habituado e assim ali ficou.

Depois de arranjado alojamento o habitual passeio pela cidade.

Tomar (origem árabe do nome Thomar: “Tamaramá”, doces águas) foi conquistada ao Mouros por D. Afonso Henriques em 1147. Foi doada por este monarca aos Templários em 1159. D Gualdim Pais concedeu-lhe foral em 1162.

Depois dos Templários terem sido expulsos em 1312 por decisão do Papa João XXII que queria esta Ordem fora da Europa, foi fundada a Ordem de Militar de Cristo. No Castelo de Tomar viveu o Infante D. Henrique e foi elevada a cidade em 1844 na sequência da visita da Rainha D. Maria II.

Marius deambulou pelos seus jardins, atravessou a ponte Romana (Os romanos fundaram a cidade de Sellium cuja planta ortogonal decorre da perpendicularidade dos característicos eixos cardus e decumanus que determinavam a organização urbanística das cidades romanas), foi até ao Castelo...


... ao Convento de Cristo.


Na residencial onde esteve, na sala, um tabuleiro dava as boas-vindas.


Há que referir aqui uma situação que aconteceu e que é de realçar. Compradas umas caixas de doces com amêndoa numa Pastelaria em Tomar, chegados a Lisboa verificou-se que os bolos por dentro estavam bolorentos. Feito um telefonema para a Pastelaria, logo os responsáveis de imediato resolveram a situação. No dia seguinte, o carteiro bate à porta com caixas de doces enviados por essa Pastelaria.

Os meus agradecimentos e Parabéns à Pastelaria "Estrelas de Tomar" pela atitude.


Pelos meados do século VII, aqui houve conventos de freiras e frades, datando dessa época o episódio visigótico e lendário do martírio de Santa Iria.

A lenda de Santa Iria

Numa quinta dos arredores da cidade de Nabância, viviam Hermegido e Eugénia, ele descendente de uma família nobre goda, ela representante de uma opulenta gens romana. Tiveram uma filha de nome Iria, Irene ou Ireia, tão rica em dotes físicos como morais, cuja educação fora confiada a suas tias paternas, Casta e Júlia, monjas do convento beneditino de Santa Clara.
Quando a jovem atingiu a adolescência, Célio, o abade beneditino, seu tio materno, confiou a sua educação ao monge Remígio que considerava digno de tão delicada missão.
Iria cedo reuniu a simpatia das religiosas e das pessoas da povoação, em especial dos moços e fidalgos, que disputavam entre si as virtudes da noviça, entre os quais se destacava o jovem Britaldo que, rendido a tanta beleza, se apaixonou loucamente. Esta, por que tencionava dedicar a vida ao serviço de Deus, sempre repeliu as suas propostas amorosas.
Britaldo, louco de amor, adoeceu. Iria, movida pela caridade cristã, consolou-o e convenceu-o da impossibilidade do seu casamento, pois fizera voto de virgindade.
Dos amores de Britaldo teve conhecimentoo monge Remígio, a quem a beleza da donzela também lhe não era indiferente. Louco de ciúmes, o monge fez com que Iria tomasse uma tisana embruxada, provocando-lhe sinais de gravidez. Britaldo, julgando-se ludibriado encarregou um seu subordinado de matar Iria.
E assim, a 20 de Outubro de 653, quando Iria rezava devotamente as suas orações numa capelinha junto ao rio Nabão,Banaão, o vil sicário, enterrou-lhe no peito um punhal, lançando o seu corpo às águas.
O corpo de Iria, segundo reza a lenda foi indo rio abaixo, sendo repelido na Barquinha, afastado da Chamusca, indo parar finalmente em Scalabis, onde milagrosamente a envolveu um sepulcro de mármore.
A partir daí Scalabis tomou o nome da Santa Virgem e Mártir, Sant'Irene, hoje Santarém.

P.S. - A Feira de Santa Iria decorre em Tomar de 16 a 25 Outubro de 2009.

Programa das Festas: - Divertimentos - Venda ambulante - Animação na Várzea Grande - Tasquinhas no mercado municipal - Feira das Passas na Praça da República.
No dia 20, dia de Santa Iria, realiza-se a partir das 10 horas a habitual procissão com as crianças das escolas desde a igreja de Santa Maria dos Olivais até à ponte velha. (Informação fornecida por F.R.. Obrigado!)


À partida, um olhar sobre a cidade, marius espera de novo lá voltar mas sem o pó das obras no ar, e parte a caminho do Castelo de Almourol.

Fotos: Marius70

Fontes consultadas: Câmara Municipal de Tomar DREC

2.9.09

Penela



Marius admira o verde desta zona do país. A paz e o sossego acompanhou-o através de uma estrada onde parecia que não havia mais ninguém. Pouco depois avista um Castelo erguido sobre um penhasco, tinha chegado a Penela (a designação poderá derivar do étimo celta de penna - que significa pequeno penhasco).


Este castelo é, depois do de Montemor-o-Velho, o mais amplo e forte que resta da linha defensiva do Mondego. Já os romanos tinham em conta a importância estratégica deste outeiro onde vigiavam a estrada Mérida-Conímbriga-Braga. Depois da ocupação árabe em 716, foi o Conde D. Sesnando, primeiro governador de Coimbra, que mandou erigir no local o Castelo depois da reconquista em 1064 pelas tropas de Fernando Magno. Como através dos tempos o Castelo deixou de ser prestável nada melhor que o povo retirar as pedras para construir as suas habitações ou o curral para os porcos e assim se foi a Torre de Menagem.

Felizmente em 1940 o Castelo foi restaurado, retirado todo o casario encostado às muralhas e em 1992, e já a cargo do IPPAR procedeu-se à pavimentação dos acessos e da circulação interior do castelo, à limpeza, recuperação e consolidação das muralhas.

Marius já viu Castelos em pior estado, e é sempre grato saber que algo é feito para preservar a nossa identidade nacional e assim o IPPAR está de parabéns.

Todas os Castelos têm a sua "Porta da Traição", quase sempre virada para os campos para rápida saída quando a ocupação do Castelo se tornava iminente. Muitas vezes era por aí que entravam os sitiantes e, segundo a lenda, foi por essa porta que entrou o Infante D. Afonso Henriques e tomou o Castelo aos mouros. É que os mouros saíram para dar de beber ao gado, D. Afonso, que se encontrava emboscado, agradeceu tamanha oferta e enquanto o gado saía D. Afonso entrava.


Foi em Penela que foi degolado o primo de Dª Leonor Teles o alcaide D. João Afonso Telo, na crise 1383/85, por ter tomado o partido de Dona Beatriz, mulher do rei de Castela, com pretensões ao trono português. O alcaide saiu a cavalo para fazer a cobrança de alimentos, caiu e nessa altura foi aproveitado para a sua degola. Penela passou-se para as hostes do Mestre de Avis.

Das suas muralhas marius observa a paisagem envolvente e satisfeito pelo que lhe foi dado a observar, pega no seu cavalo lusitano e vai a caminho de Tomar.


P.S. - De 4 a 6 de Setembro na Vila de Espinhal irá decorrer a XX Feira do Mel. Uma oportunidade privilegiada para provar o mel produzido na região e alguns dos seus doces derivados, designadamente, os licores e aguardentes, o vinagre, as velas de cera de abelha ou as compotas e doces.

Fotos: Marius70
Fontes consultadas: «À Descoberta de Portugal» - Selecções Readers Digest

Portugal Notável

Câmara Municipal de Penela

2.4.09

Castelo de Germanelo



  Marius70 depois de Coimbra e da visita às ruínas de Conímbriga, resolve ir até Penela, onde nunca tinha estado.

  Por caminhos arborizados, marius dirige o seu cavalo lentamente admirando a paisagem. Algo se recorta no alto da uma colina, o que seria aquilo? Interroga-se!!! Conforme se vai aproximando verifica que se trata de ruínas, ruínas de um castelo, ruínas de um povo arruinado, o Castelo de Germanelo.



  Sobe lentamente a encosta. A meio deixa a sua montada já cansada de tantos trilhos percorridos, e segue por caminhos tortuosos até ao cimo da colina.

  Dominando sobre o vale do Rio Rabaçal, este Castelo tinha a função da defesa da outrora capital da região, das frequentes investidas dos Mouros.

  Pensa-se que este sítio foi um castro romanizado o que é lógico tal a presença romana na área.

  D. Afonso Henriques criou o concelho de Germanelo e deu-lhe carta de foral em 1142.

  A história do castelo liga-se a uma antiga lenda, segundo a qual havia dois irmãos ("germanelos" = gémeos) gigantes, ferreiros, que viviam cada um no seu monte, um no Melo, a Norte, e outro no Gerumelo, a Sul. Como só dispunham de um único martelo, compartilhavam-no entre si. Certo dia, o Gerumelo, de mau-humor, atirou o martelo com tanta força, que este perdeu o seu cabo no ar. A cabeça de ferro caiu no sopé do monte Melo, onde surgiu uma fonte de águas férreas de onde surgiu a povoação de Fartosa (em 1160 dizia-se Ferratosa e em 1420 já era designada por Ferretosa); o cabo, que era de zambujo, foi espetar-se numa terra a dois quilómetros de distância, fazendo nascer um zambujo, dando origem à povoação de Zambujal.

  Marius subiu até ao Castelo e ficou mais uma vez decepcionado. Aquilo não é um Castelo, aquilo é uma fachada de castelo que se aguenta em pé por razões que a própria razão desconhece.



  O interior da muralha.



  A muralha vista de dentro. Nota-se um passadiço em madeira.



  Nada mais existe senão matagal. Marius desce a colina, um último olhar sobre o outrora castelo (deve ser o último olhar) e segue a caminho de Penela.

Fonte: Wikipedia

Fotos: Marius70


6.2.09

De Volta a Coimbra



Julho de 2008

 Marius depois de sair de Nazaré tinha como destino Figueira da Foz. Mas um percalço na “montada” fez com que ficasse retido por algumas horas para reparação na Zona Industrial da Gala.

 Atravessada a ponte Edgar Cardoso na Figueira eis a caminho de Coimbra. Um jantar com gente amiga estava agendado para esse dia.

 De Coimbra já aqui falei nestas minhas viagens (Aqui). A cidade dos estudantes é sempre uma cidade a visitar, embora me veja sempre com problemas devido à falta de sinalização que nos referencie os locais correctamente. Para ir até à Igreja de S. António de Olivais, ponto de encontro, na freguesia do mesmo nome, marius viu-se e desejou-se para lá chegar. Valeu perguntar aqui e ali pois se fosse por sinalização que não existe ainda hoje estaria à procura.



 O acesso à Igreja faz-se por esta escadaria com seis capelinhas laterais com figuras de barro, representando a vida de Cristo. Um Bom Jesus de Braga em ponto pequeno.


 Mais uma noite passada num Hotel na Avª Emidio Navarro sem hipótese de se dormir mais um pouco pois logo de manhã a luz do dia entra a jorros pelo quarto adentro. Deve ser por falta de dinheiro que os Hotéis não têm estores e assim os visitantes têm que acordar cedo mesmo que não o queiram.

 Uma visita pela cidade. Voltar a ver o Mondego. A ponte e a baixa toda engalanada. O Mosteiro, os jardins, as velhas ruas, as Igrejas, o reboliço de uma cidade que dá sempre vontade de lá voltar. Mas tenho que arranjar alternativa, talvez um GPS, pois na saída de Coimbra rumo a novas paragens tive que voltar para trás pois o meu destino ficava em sentido contrário àquele que ia. Se não encontrasse um polícia de trânsito, que me indicou o caminho correcto, talvez fosse a caminho do Sameiro sem o querer.


 Marius foi visitar, a seguir, as Ruínas Romanas de Conímbriga. Essa visita está documentada no meu "Império Romano", Aqui

Fotos: Marius70

Vídeo: Autor desconhecido

4.1.09

Nazaré



 Uma das situações que irrita sobremaneira Marius70, é o facto dos sites das Câmaras Municipais não divulgarem as músicas do folclore das suas regiões. Com algumas excepções como o do Municipio da Póvoa de Varzim, terra onde nasci e isso é de louvar, é de bradar aos céus o facto de tanto o site do Munícipio de Peniche como o de Nazaré não terem músicas acopladas que são como referências para quem quer visitar esses locais e queira conhecer os seus trajes e o seu folclore. Procurei vezes sem fim o «Vira da Nazaré», uma música que conhecemos desde miúdos mas nada encontrei. Valeu-me o facto de ter um LP do Júlio Pereira, «Cavaquinho» e ter retirado dele a música que estão a ouvir «Não Vás ao Mar Tóino» que é da Nazaré também (na minha pesquisa encontrei esta mesma música como sendo da Beira-Baixa, não sabia que na Beira-Baixa também existia mar, estamos sempre a aprender). Se alguém dos Municípios lê estes meus artigos que não são mais que viagens minhas e ao mesmo tempo de divulgação das terras por onde Marius70 passa, faça o favor de colocar lá músicas do folclore e não só as fitas que o Presidente da Câmara corta. É que isto de beija-mão já lá vai. Divulguem o que de bom se faz para o bem da sua região mas também a sua raiz cultural das danças e cantares que atravessaram gerações. Isso sim é Portugal, o resto é cimento!

Julho 2008

  Mais uma vez Marius70 vai até Nazaré. Várias corridas já ali tinha feito. Ainda no ano anterior tinha ali estado a correr a sua meia-maratona. O mar estava bravio e a espuma desfazia à nossa passagem na Avenida a caminho da Meta. Mas desta vez o sol brilhava e as Marchas desfilavam na Avenida e faziam a sua exibição na Rua Mouzinho de Albuquerque junto aos estabelecimentos de Restauração.

  De perna grossa e bem feita, as nazarenas com os seus trajes garridos, com as mãos nas ancas davam um ar festivo e de folia a esta simpática vila cheia de veraneantes.


  Nazaré não existia no século XVIII, só o Sítio. No entanto o mar recuou abaixo da Pederneira e, os pescadores, aí se instalaram em terra firme. A partir da metade do século XIX das cabanas começou a nascer a povoação e hoje Nazaré com o seu mar pejado de toldos de lona recebe milhares de forasteiros que vão desfrutar do seu mar azul e lindo que se pode ver, na sua plenitude, no Sítio.


  Como tem sido regular, o Hotel escolhido foi o Hotel da Nazaré. Mas como venho a confirmar por todos os Hotéis ou Residenciais onde marius70 pernoita têm um contra, não têm estores e, como é bom de ver, ainda a manhã começa e já a claridade se infiltra dentro do quarto. Para quem desfruta dos locais até bem tarde feita noite não é muito agradável acordar de manhã cedo. Mas é um mal geral de Norte a Sul do País.

  Enquanto se toma o pequeno almoço, no terraço, o nosso olhar estende-se pelo casario, o elevador que nos leva até ao Sítio e o mar que nos envolve.


Sítio

  Do Sítio se conta a bela lenda que D. Fuas Roupinho indo em perseguição de um veado, este se lançou do penhasco e se não fosse a aparição de Nossa Senhora da Nazaré que fez estancar o cavalo mesmo à beira do precipício de tal forma que ficou gravado na rocha a ferradura, teria D. Fuas feito companhia ao veado que, segundo a lenda era o demónio com cornos e tudo, cá embaixo! Em sua memória foi erguida a “Ermida da Memória”, diga-se em abono da verdade muito degradada e com muito cheirinho a fénico. As casas de banho são um bocadinho mais abaixo!

  Tendo Marius70 ido uma vez ao Sítio com o seu irmão mais velho, depois de mais uma meia-maratona, este fez a nazarena contar as sete saias o que ela fez com gosto.

Sete saias trazes
Ao cair da anca
E a blusa branca
Que te está mesmo a matar

Agora os rapazes
Só pedem que caias
Para contarem as saias
Quando tu estás a bailar


Bem atiradiços estes rapazes!!!

 O Sítio da Nazaré é um largo enorme com um belo coreto e terminando com numa varanda junto ao mar (estava proibido o acesso devido a possível derrocada). Pode-se ver a Igreja consagrada a Nossa Senhora da Nazaré e várias residências com bonitas sacadas em ferro fundido e azulejaria de interesse.



 Com locais para venda de artesanato e as nazarenas nos seus carros castiços com venda de tremoços, pevides e outros afins (as gaivotas estavam sempre a tentar “roubar” algum destes produtos, para desespero das nazarenas) ir à Nazaré, com uma gastronomia apetecível, é sempre para Marius70 e para milhares de turistas uma visita agradável.

 De fazer também, um passeio pedreste até ao velho forte, no fim do promontório, e à vizinha Pedra do Guilhim.

 Coloca esta vila no teu roteiro anual, vale a pena!


Fotos e video: Marius70
Fonte consultada: «À Descoberta de Portugal» - Selecções Readers Digest

16.10.08

Quem Passa por Alcobaça...



Quem passa, por Alcobaça
Não passa sem lá voltar
Por mais que tente e que faça
É lembrança que não passa
Porque não pode passar


  Durante anos, em Luanda, ouviu Marius esta canção na voz de Maria de Lurdes Resende. Fui a Alcobaça, voltei a Alcobaça, mas ou é porque a minha forma de ver as cidades e as serras mudou ou Alcobaça já não é o que era.

  Da primeira vez que lá fui senti uma vila viva, movimentada, com artesanato de rua, camionetas de gente sem fim, paradas ao pé do Mercado, em tons de festa, de romaria. Voltei de novo lá, a vila já cidade, parece adormecida, não se vê vivalma pelas suas ruas, a não serem os turistas junto ao Mosteiro, tudo o resto parece deserto. Terei escolhido mal a altura de lá voltar? Talvez!!! Mas como diz e bem a letra da canção, é lembrança que não passa e quem sabe se de novo lá irei voltar.

  Alcobaça começou a ser um castelo árabe, hoje arruinado dele só resta a miragem de um outrora belo castelo.



  Das suas ruínas tem-se uma bela vista sobre a cidade, o Mosteiro e campos adjacentes.

  Alcobaça cresceu no vale do Alcoa e Baça. Os seus rios atravessam a cidade, e se outrora foram rios hoje não passam de riachos. É uma cidade airosa, tendo seu comércio sido quase confinado à área do Mosteiro que apresenta um lugar agradável para passeio e desfrutar dessa obra magnífica de estilo gótico, a primeira a ser construída em território português.

  O Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, também conhecido como Real Abadia de Santa Maria de Alcobaça, é uma das Sete Maravilhas de Portugal. Está classificado como Património da Humanidade pela UNESCO e como Monumento Nacional desde 1910.



  Abandonado pelos monges em 1833, o Mosteiro é um dos pontos de atracção turística da cidade. Os seus claustros, a sua fonte, o panteão, as suas gárgulas e os túmulos de D. Pedro I e Dª Inês que, com os pés virados um para o outro, esperam pelo dia do Juízo Final para de novo se levantarem e ficarem frente a frente.

  Os noivos, quando se casam, têm o costume de passarem pelos túmulos a fim de fazerem uma jura de amor eterno, esquecendo que Dª Inês não era esposa mas sim amante do Rei D. Pedro, ver Alcovas Reais I e Alcovas Reais II.



  Alcobaça desde os tempos remotos foi ocupada não só por agricultores pastores que ocuparam as grutas do Carvalhal de Aljubarrota, como pelos povos invasores, Fenícios, Gregos, Cartagineses, os inevitáveis Romanos, os Visigodos e Muçulmanos. Um dia D. Afonso Henriques resolveu vir lá de cima do Condado Portucalense e expulsou-os em 1148.

Quem passa por Alcobaça
Não passa sem lá voltar...


Fotos: marius70 e wikipedia

Fontes consultadas: Município de Alcobaça


24.7.08

Correr Peniche



  De volta a Peniche, Marius relembra as vezes que aí esteve correndo as ruas da cidade à luz das fogueiras.
  Anos depois volta a sentir o convívio à volta da sardinha assada, da pinga bem tirada, do ar festivo que milhares de forasteiros deram à «Corrida das Fogueiras» e «Fogueirinhas».
  Marius corre não por mais uma camisola ou uma medalha mas sim pelo simples prazer de participar pois medalhas tem muitas dentro de uma caixa de cartão. Pena é que muitos não percebam que o facto do dedo grande do pé mexer é mais importante que os vários sacos que conseguem “surrupiar” às organizações. Mas isso são outras histórias, falemos agora de Peniche.


  Peniche tem vestígios pré-históricos nas grutas da Malgasta, Lapa Furada, Cova da Moura (situadas na zona Sudoeste do concelho, no Planalto das Cesaredas) e Gruta da Furninha estas do Paleolítico Médio, que demonstram bem a ocupação desta zona ribeirinha pelas comunidades humanas.

  61 a. C. – Júlio César derrota um grupo de lusitanos que se refugiara numa ilha junto à costa, território possivelmente correspondente à ilha de Peniche.

  Desde então os romanos fizeram sentir a sua presença através do cultivo das férteis terras aluviais contíguas ao Rio de S. Domingos e à Ribeira de Ferrel e na exploração de recursos estuarinos e marinhos.

  No Morraçal da Ajuda foi descoberto um complexo oleiro que teria como principal ocupação a produção de ânforas destinadas ao envase de preparados de peixe.

  Nas Ilhas Berlengas foram descobertas cepos de âncora em chumbo e várias ânforas que significa que nelas se abrigavam as embarcações romanas.


  Peniche era dependente de Atouguia da Baleia outrora Vila muito importante. Curiosa é concessão em 1947 e em 1503 por El-Rei D. Manuel de os penichenses terem a possibilidade de possuírem carniçaria e carniceiro, não sendo obrigados a ir comprar a Atouguia da Baleia a carne que necessitavam, de cortarem a lenha de que as suas casas tivessem necessidade e a possibilidade de semearem a zona do reguengo entre os lugares velho (Gamboa) e novo (Ribeira).

  Foi fortificada em tempos do rei D. João III por volta do século XVI, em 1640 transforma-se em praça-forte. Em 1934, passa a funcionar como prisão política do Estado Novo até Abril de 1974. Hoje o Forte é o Museu Municipal que vale a pena visitar pela história que este Forte encerra desde o material arqueológico, histórico e etnográfico, à espectacular fuga protagonizada por Álvaro Cunhal, Joaquim Gomes, Carlos Costa, Jaime Serra, Francisco Miguel, José Carlos, Guilherme Carvalho, Pedro Soares, Rogério de Carvalho e Francisco Martins Rodrigues em 3 de Janeiro de 1960.


  Marius deambula pela cidade. A zona portuária em obras indicia novas condições para os pescadores.


  No jardim da cidade, a estátua da rendilheira domina. As rendas (medalha de prata em 1851 e 1861 em Paris, Londres e Porto), já a minha mãe poveira as fazia e é também uma tradição dos vilacondenses, estão à venda num local onde raparigas aprendem a trabalhar com os bilros.


  Uma cidade bonita, onde os restaurantes na Avenida do Mar têm muita diversidade de peixe e marisco e a caldeirada é de chorar por mais.


  Foi difícil arranjar lugar para a pernoita, sinal que os forasteiros eram muitos, mas ali estava a D. Lurdes, nazarena de gema, com um cartão a “oferecer” local para uma noite bem dormida. De todos os locais posteriormente visitados, foi a melhor noite passada.

  Sobre os tais “amigos de Peniche”. Não são os penichenses que são esses tais amigos da onça, mas sim os ingleses que quando lhes foi pedido ajuda contra a invasão dos Filipes de Espanha, desembarcaram em Peniche. Chegada a Lisboa a notícia do desembarque, foi espalhada a novidade entre os partidários, e a segredar-se num anseio de esperança: “vêm aí os nossos amigos… vêm aí os nossos amigos de Peniche…”

  Mas os ingleses durante o percurso até Lisboa nada mais fizeram que pilhar as povoações que lhes apareceram pelo caminho. Chegados a Lisboa foram recebidos a fogo de artilharia dos castelhanos e, assim, os tais "amigos" de Peniche lá foram de orelha murcha para Inglaterra e Portugal foi dominado pela Espanha até que D. João IV, no 1º de Dezembro de 1640, voltou a colocar o país sobre a bandeira portuguesa.

  Uma visita ao Cabo Carvoeiro ver a Nau dos Corvos, ex-libris de Peniche, faz com que a vontade de a visitar seja uma constante.


  Uma passagem pela praia do Baleal e com a promessa de voltar a Peniche, Marius segue a caminho da Nazaré!


Fotos: marius70

Fontes consultadas: Município de Peniche

... E observação directa

14.7.08

Por Terras Alentejanas



  Marius, através da janela visualiza um dia cinzento. A chuva cai de mansinho, não se vêem carros, não se vê vida. Tudo permanece nos seus lares, vendo, como eu, a chuva a cair.

Lagoa de Sto André


  Tantas vezes referido como local aprazível, logo teria que calhar num dia não a visita a este local. Um dia cinzento como foi o Verão passado, foi ver e quase partir. Como a fama gastronómica indica uma boa caldeirada lá Marius quis fazer uma vontade mas os preços astronómicos de alguns Restaurantes fizeram-no desistir da ideia. Em Portugal tenta-se, como a formiga, ganhar no Verão para descansar no Inverno, mas os portugueses não são “bifes” e assim fiquem lá com a caldeirada que em Peniche também se come caldeirada e não àqueles preços.

  Mas lá almoçou num Restaurante no Hotel Al Tarik e ala a caminho de Santiago do Cacém.

  Em Santiago do Cacém, Marius procurava as ruínas romanas de Miróbriga (tema já colocado no Império Romano). Mas, em antes de rumar ao passado, fez questão de subir ao Castelo e desfrutar das vistas sobre a cidade.

  Uma tenda medieval à entrada do Castelo, e uma exposição «No Caminho sob as Estrelas», uma referência à peregrinação a Sant’iago de Compostela, aguardavam-no numa subida íngreme que o “cavalo” de Marius já cansado de tantas estradas, montes e vales percorridos teve dificuldade em lá chegar.

A história de Sant’iago é deveras singular. Pelos vistos, era um dos discípulos de Jesus que até terá passado pela terra de Marius, Póvoa de Varzim. Segundo outras tradições, Santiago aparecia aos cristãos nas batalhas travadas em Espanha contra os mouros daí ter sido apelidado de "Matamoros" (Mata-mouros). Como isto de religião cada um puxa para o seu lado, é sinal que os cristãos não consideravam os mouros filhos do mesmo Deus e vice-versa. E esta luta irá continuar até que no fim só restem um mouro e um cristão. Aí Deus irá escolher um deles para assistir ao fim da Humanidade.

  Uma visita ao Castelo, com as bandeiras desfraldadas e, pela primeira vez, Marius viu um cemitério dentro de um castelo.


  Depois da visita a Miróbriga,que Marius recomenda, há que rumar até ao Algarve. Aberto o mapa, o caminho mais curto pareceu ser o virar à esquerda, mas não era.

  Uma paisagem com árvores frondosas a ladear o caminho. Aqui e ali, lá aparecia uma alma perdida naquela estrada, e Marius sem saber onde estava. Os km corriam e localidades nenhumas. Até que, por fim, lá apareceu uma placa dizendo Alvalade, ufff!... Já não era sem tempo.

  Um desvio e aparece a terra onde romanos já por lá tinham andado tendo deixado o seu legado como várias escavações arqueológicas o demonstram, a estrada romana que atravessava a freguesia de Alvalade, e que estabelecia a ligação entre Miróbriga e Pax Iulia (Beja), assim como a ponte, já muito alterada, situada sobre o antigo leito da Ribeira de Campilhas.

  Paragem em frente à Igreja da Misericórdia e uma visita ao Centro Histórico. Entrar na Igreja Matriz, onde é proibido tirar fotografias, engalanada, ver no altar a imagem de Nossa Senhora da Conceição da Oliveira, padroeira de Alvalade, um olhar demorado sobre os campos e a ponte romana e como Marius ainda tinha muitos km pela frente, ala que se faz tarde.


  A promessa à amiga Bitu que, para a próxima, Marius irá ver com mais vagar a sua terra.

16.12.07

Gastronomia - Ponte da Barca




Verde e baixos vales, alta serra
Duras, e solitárias penedias
Correntes águas, frescas fontes frias
Testemunhas do mal que em mim s´encerra.


Ponte da Barca – Lampreia à Pescador e à Bordalesa, Papas de Sarrabulho, Presunto e boroa de milho, Chanfana de Cabra à moda de Germil, Cabrito da Ermida, Costeleta Barrosã, sopas de leite e rabanadas de mel


Lampreia à Bordalesa

Ingredientes para 6 Pessoas:

  2 Lampreias de tamanho médio; 4 dl de Vinagre tinto; 4 dl de Vinho verde tinto; 8 dentes de Alho; 0,5 kg de Cebola; 1,5 dl de Azeite; 0,5 kg de Arroz; Pão seco qb; Salsa qb; Piri-piri qb; Sal qb; Água qb.

Modo de Preparação:

● Arranja-se a Lampreia e tira-se a tripa. ● Corta-se às postas de 4,5 cm. ● Faz-se uma marinada com o sangue da Lampreia, Vinagre, Vinho, Alho picado, Salsa picada, Sal, Piri-piri a gosto e adiciona-se a Lampreia cortada às postas. ● Fica a marinar durante cerca de uma hora. ● Pica-se a Cebola muito fina para um tacho, rega-se com um fio de Azeite e deixa-se alourar. ● Adiciona-se a Lampreia, juntamente com a marinada, à Cebola refogada e deixa-se estufar até ficar apurada. ● Junta-se água a ferver à medida que vai sendo necessário. ● Rectificam-se os temperos. ● Acompanha com Arroz seco e pão torrado às fatias


Rabanadas de Mel

  Cortam-se as fatias de pão de trigo, que se deixou endurecer, com dois centímetros de espessura.

  Numa panela, põe-se a ferver leite, água, canela, casca de limão, mel, açúcar e noz de manteiga fresca. Em travessa funda, põe-se o pão a demolhar bem, na calda quente. Escorre-se levemente e passa-se por ovos batidos. Frita-se em azeite fino. Tiradas as rabanadas bem loiras, ficam algum tempo a escorrer e servem-se polvilhadas com açúcar e canela.

  Para acompanhar as rabanadas, faz-se um molho com água, vinho do Porto, mel, açúcar amarelo, canela e laranja fresca. Vai tudo a ferver até ficar um xarope grosso e, com ele, quem quiser e gostar, regar as rabanadas. É servido à parte.


1.10.07

Viseu



  Vai Marius70 a caminho de Viseu. Mais uma vez voltava a Viseu, mas desta vez haviam outras razões que o faziam lá voltar, ver a Feira de S. Mateus, que nunca tinha visto e rever um velho amigo de infância da minha Rua Vereador Prazeres do meu Bairro de S. Paulo em Luanda. Um mero acaso fez com que voltasse a abraçar este grande amigo 40 anos depois. Para ti amigo Flávio um abraço do tamanho de Angola.

Viseu

  A cidade das rotundas. Disseram-me, posteriormente, que devido às rotundas tinham “baixado” os acidentes rodoviários na zona, se assim é, façam-se rotundas de norte a sul do país e evita-se a mortalidade devido aos aceleras que não têm respeito pelos outros.

  A Viseu (aqui nasceu D. Duarte) chamo de cidade jardim. Talvez hajam outras mas passear no Parque da Cidade ou ver outros locais cheios de verde, fazem-me sentir lá bem. Não é por mero acaso que Viseu é chamada de «Cidade do Verde Pinho».


  Cheguei lá na altura do almoço, a meio da semana, e recebi um telefonema desse meu amigo e combinámos o jantar para a Feira de S. Mateus pelas 20h30’.

  Estava um calor intenso e depois de se arranjar hotel, um hotel simpático, onde, pela decoração antiga, fazia-nos transportar para o tempo em que as camas tinham reposteiros, as senhoras usavam saias compridas e corpetes, e os homens “collantes” com as caras polvilhadas de pó de arroz.


  Há que visitar a cidade. Depois do reconhecimento feito do local da Feira de S. Mateus, à que começar pelo Rossio onde se pode admirar o magnífico Painel de Azulejos, o edifício dos Paços do Município, passear no Jardim Tomás Ribeiro e depois sentar-se no Parque Aquilino Ribeiro (um reparo, aqui há uns bancos de jardim tão baixos que depois de sentado os joelhos quase me batiam na cara), onde se encontra a Capela da Sr.ª da Vitória. Ao lado do Parque encontra-se a Igreja dos Terceiros de S. Francisco.

  Ver ruínas romanas dentro da própria cidade, através de um vidro demonstra que Viseu já no passado era um ponto de referência e não é por acaso que Viriato lhes fez frente e só foi vencido pela traição.

  A Sé Catedral e o Museu Grão Vasco, o Cruzeiro, a estátua de D. Duarte, a Igreja da Misericórdia, a Fonte das 3 Bicas fazem parte do roteiro obrigatório de todo o visitante.


  Muito mais há para ver, fica a promessa de lá voltar agora com mais tempo pois o tempo urgia e estava na hora de ir até à Feira de S. Mateus já com um historial de mais de 600 anos (as primeiras referências datam de 1392).

  Inicialmente, pareceu-me que a Feira estava longe de ter a fama que a suporta há já longos anos. Dividia-se em quatro vertentes, diversão, artesanato, comes e bebes e uma área destinada a exposições mobiliários e afins.

  Com uma zona central para espectáculos ao vivo, foi ao cair da noite que a magia saiu com arcos iluminados em tons de azuis e vermelhos, dando então à feira o cariz de que estava à espera.


  - Mário – ouvi junto à zona das exposições. Voltei-me, ali estava o meu amigo Flávio mais a sua simpática esposa, quarenta anos depois. Um abraço, um recordar dos nossos velhos tempos, das nossas corridas de trotinete, da nossa rua dos nossos amigos, dos nossos irmãos.

  Foi bom ver-te Flávio. Até à próxima!

9.7.07

De Sul a Sul...



  Do céu água caía e perspectivas de dias melhores não estavam previstas num horizonte recente.

  Desta vez a viagem seria directa, sem outras paragens que não fosse um ligeiro repouso em áreas de serviço.

  Cada vez mais se nota a diferença climática de ano para ano.

  O local de férias encontrava-se estranhamente deserto comparado a anos anteriores, pudera com o tempo que se fazia sentir só as gaivotas é que se afoitavam em voos para estas paragens, gaivotas e eu, bom, também não era o único que lá estava, haviam mais uns heróis que se calhar não puderam alterar as férias e lá tiveram que gramar o mau tempo.

  Lagos, continua a ser para mim uma cidade sempre a rever. Gosto de estar na marginal, vendo os barcos a sair e entrar na Marina, e quando os mastros dos barcos são altos eis que a ponte se abre para deixar os barcos passar. Foi de Lagos que partiu D. Sebastião para a derradeira viagem até Alcácer-Quibir.

  Hoje resta a lembrança da estátua de Cargaleiro, do Rei menino, nas Portas de Portugal.

  Buganvílias dão às ruas um colorido especial, e uma visita às Igrejas com as suas belas talhas, assim como o nicho dedicado a S. Gonçalo, padroeiro de Lagos no Arco com o mesmo nome, é de visita obrigatória.


  Em Alvor, os barcos encontravam-se serenos na sua Ria enquanto o tempo continuava cinzento. Três dias de praia em duas semanas e, por duas vezes, a praia foi interrompida devido ao tempo agreste.


  Portimão para visitar e comer os gelados de sabor na gelataria «Coromoto» junto ao Mercado Municipal.

  Ver «O Mundo de Areia» em Algoz/Pêra é um espectáculo. Este ano está simplesmente fantástico e pode-se ir de tarde e à noite com tudo iluminado com o mesmo bilhete. A não perder.

  Uma subida até ao Pico da Picota, em Monchique, a 774 metros. Subir aquilo de carro é uma aventura, estrada estreita quase não permite o cruzar com outro carro e se de um lado é encosta do outro é precipício. Há alturas que os nossos carros se transformam em burros e desta vez tive essa sensação. Mas o Pico foi vencido.


  No regresso uma ida até Marmelete. Casas brancas, pomares, hortenses, medronheiros e a Igreja fazem o encanto de Marmelete. Uma sandes de presunto comido num café no caminho foi quase um jantar.


  Quarteira para uma visita de saudade pois foi para lá a minha primeira ida para os Algarves. Uma ida até às ruas e casa onde estive há muitos anos atrás e fora um ou outro pormenor está tudo na mesma excepto a Marginal que sofreu alterações profundas.

  Alcoutim. Foi uma agradável surpresa. O castelo, as casas, as laranjeiras, o rio Guadiana (obrigado Bitu) com Espanha à vista. No cais uma lápide, dedicada aos contrabandistas, onde está uma quadra cantada por esse cantor que é o Che Guevara da canção, Zeca Afonso no seu «Canta Camarada Canta».

Viva a malta, trema a terra
Daqui ninguém arredou
Quem há-de tremer na Guerra
Sendo homem como eu sou



  Uma visita até à Foz do Odeleite, viagem longa mas que não vale a pena, A vista linda é do local onde tirei a foto abaixo. Mais uma vez o carro foi burro mas valeu a pena.


  O passo seguinte foi passar a ponte e ir até Ayamonte. Líndissima, com bancos de jardim com motivos em azulejo e espanholas tagarelas até mais não, e ainda falámos nós das portuguesas.


  E assim se passaram os dias. De regresso, uma última olhada para a Ria e esperar que na próxima o tempo ajude.